sábado, 14 de novembro de 2009
Meu desabafo...
"Tudo tem seu tempo..."
Apego-me a isso pra esperar...
e esperar...
Muitas vezes, e hoje mesmo, desejei a felicidade alheia pra mim.
Me perguntei de vez em quando se eu também não não tenho o direito de ser "a bola da vez".
Se isso tudo vai se ajeitar.
Se outros sorrisos farão tanto sentido.
Se outras baboseiras tarde da noite me farão segurar o sono até as 2 da madrugada.
se histórias tão empolgantes, conversas tão sinceras, trocas de elogios tão criativas (rs), implicância...se tudo isso vai vir de novo, na hora certa, pra dessa vez ser meu.
Só meu.
Pergunto-me se vai demorar muito pra não precisar mais guardar só pra mim isso tudo que tenho vontade de declarar feliz aos quatro ventos, e que muita gente diz apenas para eu "esquecer", como se sentimentos fossem consultas médicas, que você esquece e pode simplesmente remarcar na hora que achar necessário.
Eu não sei.
Mas hoje eu li um post...
Li um post que falava de tempo, de espera.
Falava de superação e de distância.
Falava de amor.
E esse post me fez sentir dó.
Mas não aquela dó medíocre. Dó por um dia eu ter desejado o seu lugar.
Dó por achar que todos os problemas do mundo estão sobre minhas costas, e que eu tenho mesmo é que pensar mais em mim.
Talvez eu só tenha que aprender algo que ela já aprendeu, depois de passar por coisas tão dificeis quanto as minhas.
Talvez eu só não esteja madura o suficiente para encarar as dificuldades camufladas na felicidade quase plena de um sentimento correspondido.
Eu não quero mal a ninguém. Só quero bem a mim.
E continuo apaixonada.
Perdidamente apaixonada.
Mas isso.....
Isso não vem ao caso.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
And the Oscar goes to...

Eu ganhei um Selinhoooo.
O 1º do blog =]
Obrigada Marcella, a menina que fala sobre Coração como quem conta um caso em uma mesa de bar. (seu cantinho é http://maisq1historia.blogspot.com/)
Regras:
1 -Postar a imagem do selo e o link de quem te enviou no seu post;
2- Repassar para quantas pessoas achar que deve! (nada de números pré definidos de blogs a serem presenteados)
3- Escrever uma frase que você goste!!
Minhas Frases:
"Gosto de um jeito carinhoso do inacabado, do mal feito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai, sem graça, no chão" - C. Lispector
"O que obviamente não presta sempre me interessou muito"- C. Lispector
" Até os sonhos, que são as coisas mais intangíveis e delicadas, podem se mostrar incrivelmente difíceis de matar" - Neil Gaiman
Eu indico:
Paula Barboni : http://linha-vermelha.blogspot.com/
Rosália Cipriano: http://rosaliacipriano.blogspot.com/
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Um texto sobre desamor.
Beltrano, por sua vez, tateou o escuro a procura de segurança.
Fulano ria, divertia-se.
Beltrano tremia, sofria.
Nervoso, soltou um leve gemido, indicando que para ele, a diversão havia acabado.
Fulano esbaforiu-se numa risada sarcástica, quase maldita.
Virou-se.
Saiu.
Sumiu.
Beltrano continuou a tatear. Nada achou.
Desistiu.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Território inexplorado

Em dez anos de carreira Lúcia nunca havia escrito em primeira pessoa.
Os anseios, os dramas e até mesmo as alegrias ela conseguia de forma quase inerte transferir a um personagem delicadamente criado pela sua nobre imaginação de escritora.
Naquele dia, porém, ela resolveu falar de si.
Postou-se diante do computador com certo nervosismo.
As mãos suavam discretamente, acusando a tensão acentuada pelos olhos.
Sentiu-se em um confessionário, mas não se deixou abater.
Digitou as primeiras palavras: “Hoje eu...”
Recuou.
Recomeçou: “Por hora eu...”
Parou.
“Eu!”
...
“Eu me julgo certa do que digo e escrevo. Eu me sinto dona de cada vírgula e desenho palavras como quem troca de roupas.
Eu me perco em universos criados por mim mesma, e dou a cada texto um “eu” diferente, um “eu” adequado.
Mas hoje resolvi falar do meu eu. Daquele que talvez por covardia nunca tenha expressado em nenhuma obra. Daquele que por simples infantilidade ou por doce meninice eu guarde apenas para mim. Como um brinquedo tão legal que você se recusa a dividir com amigos. È melhor mantê-lo na caixa garantindo sua durabilidade, do que usar de suas funções sujeitando-o ao estrago.
É isso.
O medo de estragar o “eu” me fez usar sempre “eles”.
Hoje, no entanto, aos 43 anos de idade, me sinto na obrigação de dar continuidade a esse texto, tantas vezes iniciado, mas sempre (sempre!) abortado.
Esperei ansiosa pelo momento em que me encorajaria a falar de mim.
Mas agora, diante desse cursor que pisca incansavelmente ao aguardo do próximo digito, eu concluo de forma triste que não sei quem realmente sou.
Talvez por isso, por tanto tempo, eu tenha dedicado minha criatividade a terceiros, que carinhosamente eu chamo de personagens.
Frustrados?
Eu mais.
Falar de si é explorar o mais terrível dos territórios, e diante disso, prefiro considerar-me um território inexplorável.”
Ao terminar, de forma cautelosa, ela revisou cada palavra.
Sim! Era exatamente o que queria dizer. Justificou a todos os motivos pelos quais nunca antes havia escrito em primeira pessoa.
Território inexplorável....
Leu-o novamente.
Sentiu o fardo de se declarar, de se afirmar.
Com as mãos trêmulas envolveu o texto em aspas, seguindo-se de uma vírgula e os dizeres “afirmou ela”.
Pronto.
Livrou-se novamente da responsabilidade.
O texto sobre Lúcia terá de aguardar uma próxima oportunidade.
Ou, quem sabe, só um pouco de coragem.
sábado, 8 de novembro de 2008
TPM
Manchas surgiam por toda parte de seu rosto, decorrentes do estresse dos últimos dias.
Trabalho, casa, crianças.
Tudo lhe soava como uma cruel tortura imposta a esse nobre ser humano por um Deus absurdamente insensível.
Como se não bastasse, tinha por obrigação que manter uma vida social ativa e saudável. As pessoas costumam cobrar isso, crentes de que a boemia e a libertinagem esporádica são características típicas do bom cidadão pagador de contas. Uma obrigação de lazer. Uma obrigação de simpatia.
O mundo lhe parecia agora uma grande esfera inútil girando sozinha e feliz em torno de uma bola de fogo gigante e (claro!) estupidamente quente. Só isso. O ceticismo acompanhava fielmente seus passos arrastados com aqueles chinelos de pano que completavam seu modelito de derrota. O calor irritava. O frio também.
Ah...maldita TPM.
Como é que as mulheres agüentam isso?
Ele também não sabia, mas se não fosse homem, certamente estaria “naqueles dias”.
** Um texto pra descontrair **
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Azul

A maquiagem branca lhe dominava a face, acentuando o contorno da boca: Bela, sensual.
Parada diante do espelho iluminado ela se olhava com um quê de vaidade e zelo. Era quase um ritual; era quase religioso.
Cada risco traçado pelo lápis negro desenhava um segundo a menos no tempo que lhe restava.
Não gostava de fato.
Não se orgulhava daquilo enquanto se preparava.
O olho tremia, pronto para revelar uma lágrima.
Segurou.
Tantas não rolaram, não seria essa...
Levantou-se devagar e caminhou até o grande armário posicionado às suas costas.
Abriu-o com cuidado, evitando ruídos. Quebrar o silencio lhe daria a impressão de que havia mais alguém no quarto, testemunhando o que ela mesma não gostaria de presenciar.
A mão imediatamente lançou-se para dentro do guarda roupas e arrancou do cabide um belo vestido vermelho. - “Hoje é o dia do vermelho”
Era rotineiro. A vaidade que outrora a manteve horas escolhendo o modelo, agora dava lugar ao costume e a agilidade, como um veterano de guerra que não mais hesita em puxar o gatilho.
Era isso.
Cada escolha era um tiro com o cano apontado pra própria garganta.
A cada bala, uma vítima e um assassino.
Sempre ela nos dois papéis.
Vestiu-se com pressa, dando conta de que se perdera em seus pensamentos.
Uma última olhada no espelho para encarar sua imagem e conferir a maquiagem.
- “Um pouco borrada”.
Levou os dedos de unhas longas até o olho e limpou a borda. “O que eles pensariam se me vissem assim?”. Inalou com gosto o que restava do seu bento pó branco, como se mandasse para dentro uma farta dose de coragem.
Fora dali, as vozes excitadas conversavam em tom alto.
Risadas, piadas. Diversão para uns, sacrifício para outros.
Dinheiro.
Calçou enfim os sapatos altos e retirou-se do camarim.
Ela conhecia o caminho mesmo com todas as luzes apagadas.
Era rotineiro...
Pernas.
Boca.
Seios.
Aplausos.
Hora de voltar para casa. Hora de encarar os filhos e inventar uma nova historia sobre seu "honroso trabalho no museu".
Mas antes disso ela passou a ferro um outro vestido.
Amanhã seria o dia do azul.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Confissão

“ Senhores jurados, boa noite.
Lá fora faz frio, e dentro de mim também.
Passei a madrugada a analisar meus medos, e, pasmem, descobri que tenho muitos.
Por muito tempo essa minha vida solteira me satisfez: Estar aqui e viver só pra mim. Depositar as alegrias em noites regadas a risos e gargalhadas com os amigos. Viver em uma insanidade satisfatória, dormir com um, acordar com outro, olhar pra vários deles e responder sempre sorrindo que “não” quando me perguntam se sou comprometida.
Ontem, porém, choveu durante a noite. Cheguei em casa encharcada depois de um dia cansativo. Tirei os sapatos feliz, soltei a presilha dos cabelos e enrolei-me em um cobertor felpudo. Não liguei a TV, não liguei o rádio. Dediquei-me a ouvir o silencio, e só. Triste, notei que ele estava de fato lá...o silêncio.
Nem se quer o telefone deu o ar de sua graça.
Ninguém a quem avisar que já cheguei em casa. Ninguém com quem enrolar no celular no simples ato de dar tchau.
Ninguém pra quem deixar de ser a mulher moderna de terninho, e ser só aquela de pijamas e dor de cabeça pré-sono.
Sabem...Às vezes cansa não ser de alguém. É como não ser tirada para dançar em um baile ginasial. Nunca passei por isso, porque faz parte da cultura americana, mas imagino que seja assim: Permanecer sentada sem que alguém a escolha, ouvindo o DJ trocar as músicas para os outros, enquanto você apenas balança os pés, sempre no mesmo ritmo.
Mentira da minha parte se disser que não me basto. Me basto sim para minha subsistência. Respirar e andar eu faço por mim mesma. Mas qualquer brilho além disso depende de uma companhia que não acho...que não me acha.
Não queria fazer do amor uma necessidade. Seria mais poético imaginá-lo como um dom. Mas a poesia foge de mim como os demônios da cruz, e hoje eu digo acanhada que na noite anterior me bateu uma solidão inexplicável.
Atesto, portanto, minha fragilidade. Não nego minha feminilidade excessiva, se isso for privilégio somente das mulheres.
Confesso meu temor, minhas necessidades. Preciso de alguém.
Os pulmões vão bem, obrigada. Mas o coração...
Esse tem apenas bobeado sangue, quando na vida aprendemos que a ele cabem muitas outras funções.
Finalizo por aqui, e me abro as críticas, aos conselhos...e a seus nobres julgamentos.
Atenciosamente,
A Autora "
